Esvazie-se para Ser

"Cheio de certezas...e cheio da própria vida?" Douglas Ghimell

Aprendemos a valorizar o ter, e com isso nos acostumamos a acumular conhecimento, experiência, amores, bens e até virtudes que julgamos ter, e achamos ainda que de forma inconsciente que a riqueza e o valor estão no possuir, naquilo que chamamos de meu. E, paradoxalmente, quanto mais temos, maior é o vazio, e o distanciamento daquilo que antes nos preenchia ou satisfazia.

O grande desafio talvez seja abrir mão da falsa imagem de ser aquilo que acumulamos.

Talvez a riqueza do Ser que escorre pelas mãos, da ganância disfarçada de evolução, moral, sabedoria e razão esteja em largar o ter, e se permitir Ser.


Essa reflexão contrasta com sutileza duas posturas humanas perante a existência: a rigidez do dogmatismo versus a fluidez do viver pleno.

1. A Armadilha das Certezas

Estar "cheio de certezas" reflete um estado de fechamento cognitivo e emocional. Quando nos apegamos excessivamente às nossas convicções:

  • Ilusão de Controle: A certeza nos dá uma falsa sensação de segurança diante da incerteza inerente à vida.

  • Bloqueio do Aprendizado: O indivíduo convicto do que sabe e julga possuir perde a capacidade de se admirar, de questionar e de assimilar novas perspectivas.

  • Rigidez: Certezas absolutas constroem muros nas relações e engessam o desenvolvimento pessoal.

2. A Plenitude do Viver ("Cheio da Própria Vida")

Em contrapartida, estar "cheio da própria vida" evoca vitalidade, presença e abertura:

  • Autenticidade e Presença: Estar preenchido pela própria experiência e existência, vivendo o momento presente com intensidade e consciência.

  • Abertura ao Imprevisto: Quem vive plenamente aceita o mistério, as transformações e o constante fluxo da realidade sem a necessidade obsessiva de rotular ou julgar tudo.

  • Autonomia Emocional: A pessoa se nutre da sua própria jornada, valores e vivências, em vez de depender de dogmas e crenças externos para validar sua identidade.

A frase propõe uma escolha provocativa: preferimos ter razão sobre tudo ou vivenciar a vida em toda a sua profundidade?

Trocar o acúmulo de certezas pela capacidade de habitar integralmente a própria existência é abrir mão da ilusão de saber tudo para experimentar o real valor de estar vivo.

Talvez as 
convicções e a falsa identidade oriunda dessa fuga de si esteja embotando a expressão do Ser.

Diga pa
ra si mesmo: estou disposto a abrir mão das certezas que me esvaziam em troca do esvaziar-me do que não me permite Ser que eu Sou?

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