Um Caminho de Cura Possível à Rejeição

Dói sentir-se rejeitado, excluído, invalidado.



Mas, por que tentar ser aceito?

O sentimento de não pertencimento deve ser encarado como um ponto de vista, uma maneira de enxergar o evento-padrão que aciona o gatilho da dor da rejeição.

Isto acontece porque:

Imagina uma criança ainda esperando pelo peito que não mamou, pela mão que não a acariciou com a pureza da alma de mãe, pelo beijo negado, o abraço que nunca aconteceu, o sentimento de acolhimento que lhe foi negado.

Essa criança aprendeu, muito cedo, a esperar pelo amor vindo de fora.

E, muitas vezes, essa espera continua na vida adulta.

Esperando uma mensagem.

Uma ligação.

Uma curtida.

Um reconhecimento.

Uma palavra que confirme:

“Você é importante.”

E é justamente aí que o ciclo pode começar.

“Alguns tentam provar que merecem ser aceitos. Outros chutam o pau da barraca e rejeitam primeiro. É a ferida da rejeição tentando se proteger.”
— Douglas Ghimell

Essa frase sintetiza com muita precisão os dois extremos de um mesmo mecanismo de defesa.

Quando alguém carrega a marca profunda de não se sentir aceito, pode desenvolver estratégias automáticas para tentar se proteger da dor.

De um lado, a hiperadaptação.

A pessoa vira do avesso, busca validação constante, anula os próprios limites e tenta ser perfeita ou agradável o tempo todo para convencer o mundo de que tem valor, mesmo perdendo seu valor.

É o “deixar-se moldar” para caber em qualquer lugar, mesmo que sobrem apenas pedaços e migalhas.

É o:

“Eu vou me tornar aquilo que você precisa para que você não me rejeite.”

A pessoa se doa demais.

Concorda demais.

Tolera demais.

Explica-se demais.

E, muitas vezes, nem percebe que está abandonando a si mesma na tentativa de não ser abandonada pelos outros.

Do outro lado, o contra-ataque preventivo.

A pessoa se antecipa à dor e abandona, afasta ou destrói a relação antes que o outro faça o mesmo.

É o:

“Antes que você me rejeite, eu rejeito você.”

Às vezes, isso aparece como raiva.

Às vezes, como indiferença.

Às vezes, como aquele famoso:

“Então foda-se. Eu não preciso de ninguém.”

Parece força.

Mas pode ser apenas uma maneira de evitar a vulnerabilidade de ser rejeitado novamente.

No fundo, ambas as posturas gritam a mesma coisa:

o medo imenso de não pertencer.

Somos seres sociáveis.

Precisamos de vínculos, afeto, conexão e pertencimento.

Mas não podemos nos esquecer de uma coisa:

não precisamos transformar a aceitação dos outros na condição para nos sentirmos inteiros.

Não se trata de deixar de amar as pessoas.

Não se trata de acreditar que não precisamos de ninguém.

Trata-se de não transformar a presença, a aprovação ou a validação do outro na condição para reconhecermos nosso próprio valor.

Somos capazes de proporcionar a nós mesmos parte desse carinho.

E, com isso, ensinar à nossa criança interna que agora estamos acolhidos por nós mesmos.

Que agora existe alguém ali.

Nós.

É dizer para sua criança, que ainda insiste em ficar no portão à espera de quem partiu, ou na rede social à espera de um reconhecimento:

“Eu estou aqui.”

“Vamos brincar?”

“Vamos sorrir?”

“Vamos dançar?”

“Vamos pintar?”

“Vamos comer aquele doce?”

“Você não precisa continuar esperando alguém chegar para começar a viver.”

“Eu sou sua companhia.”

“E estou feliz por estar aqui com você.”

É devolver a si mesmo esse peito.

Esse colo.

Essa atenção.

Esse acolhimento.

Esse amor.

Um amor que agora já não precisa depender de alguém que está fora do ventre, porque você pode começar a oferecer a si mesmo aquilo que um dia esperou receber.

E talvez seja isso que sua criança interior esteja esperando:

que você finalmente volte para buscá-la.

Não para dizer que ela não precisa de ninguém.

Mas para dizer:

“Você não está mais sozinha.”

“Eu estou com você.”

“E desta vez, eu não vou embora.”

Presenteie-se com esse momento.

Com profunda gratidão, descubra o que significa se bastar sem se abandonar.

Porque talvez o verdadeiro caminho para superar a rejeição não seja finalmente conseguir que todos nos aceitem.

Talvez seja chegar ao ponto em que podemos dizer:

Eu me aceito.

Eu me acolho.

Eu pertenço a mim.

Ame-se, antes de tudo!

Parte do Livro "O Código da Do
r e o Caminho da Cura", de Douglas Ghimell
Clique no link para adquirir o e-book!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Oração aos Sete Anjos

Orações Ciganas

Do Abandono à Independência Emocional