Qual o Seu Papel?

A vida é um anfiteatro, um ateliê, uma oficina, um palco, onde não se ensaia. Não há script. 
Não há exemplos. 
Cada qual com suas sombras, seus rastros, seu destino.

Traçado pela dor ou pelo amor de pintar, cantar, bailar, interpretar, elaborar, crumiar, improvisar, vivenciar, brilhar.
Cada árvore seus frutos, cada semente sua árvore.
Somos diferentes expressões da Criação.
A vida é uma escola, mas a matéria é individual, assim como o aprendizado.
Nunca alguém vivencia a história do outro. 
E se passar por algo semelhante, caminhos que se tangenciam, a experiência sempre será exclusiva, intransferível.
Cada qual tem uma natureza, uma história, uma realidade, uma impressão digital, seu caminho, sua contribuição, seu DNA.
E é bom que seja assim, pois cada qual compõe a sua melodia, tem seu tom, sua afinação, sua entonação nessa grande orquestra.
Somos aquilo que aprendemos admirar em nós e no outro. 
Quando aprimoramos essa imagem na tela da vida, sem esperar por admiradores, por que aprendemos a nos amar diante do espelho, entendemos que o outro é uma extensão desse enredo coletivo, chamado teia da vida.
Nossas vivências humanas são acumuladas por emoções, e as emoções são intransferíveis. 
No máximo conseguimos passar uma idéia por meio da arte.
Qual o seu papel?

Douglas Ghimell 

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