Você Está Vivendo ou Está Performando?
Quantas pessoas estão se esquecendo de viver a própria vida para interpretar um papel no palco incerto e artificial do mundo virtual?
Sim, a vida é de fato um teatro em que você é o ator principal, não para a platéia, mas para si mesmo.
Talvez o seu enredo nem exija platéia, pois o ato de viver deve antes de tudo ser uma expressão da sua alma, e nem todas as almas são chegadas ao público. E está tudo bem.
E, paradoxalmente, mesmo aqueles que vieram ensinar algo - e todos tem algo a ensinar - mas refiro-me àqueles que carregam em si a missão de orientar, esclarecer, ensinar, não devem estar apegados ao espectador, sob o risco de perder a própria vida.
As pessoas encenam suas peças, usam suas máscaras e se perdem em busca de aplausos, quando se esquecem que no teatro da vida a platéia é coadjuvante, não há ensaios, e a cada escolha, passo ou palavra o enredo muda e isto muda a cena final.
A pergunta-chave aqui é: tenho consciência do meu papel?
Ou estou querendo roubar a cena, performar como numa peça onde a vida é escrava da arte?
Aqui mora o perigo! Quando você deixa de assumir o seu papel na vida, você deixa de viver a sua realidade - seja por falta de autoconhecimento ou por autossabotagem - você passa viver na ilusão de querer ser visto, reconhecido, aplaudido. Você está performando, ou seja, vivendo para a platéia.
E isto revela a carência de seu auto-valor, de autoconhecimento, de centramento no self.
Cedo ou tarde é possível entender que a platéia para de olhar, então vem a frustração.
Vem a triste realidade de não estarmos sendo autênticos, de termos perdido tempo e energia com a mentira, com a ilusão de viver em busca de aprovação.
Como sair desse looping enganoso do ego?
1. Se conheça, descubra seus talentos, e seu propósito, mas antea de tudo seu valor.
Se necessário, busque ajuda de um terapeuta.
2. Supere seus medos, suas culpas e a tendência a viver se comparando. Essa carência de aprovação é por que não aprendemos a nos aceitar. A autoestima está baixa.
3. Pare de olhar excessivamente para fora! Olhe-se, para dentro de si. Encontre-se, centre-se, seja sua própria bússola. Não estou falando de se fechar para o mundo, mas de ouvir a verdade que pulsa dentro de ti. Essa que diz: 'vai por aqui', 'tô cansado disso', ou ainda, 'chega, vamos começar do zero!'. Nunca é tarde para ouvir essa voz interna.
4. E pare de se cobrar demais. O mais gostoso de uma refeição não é a barriga cheia, mas a refeição em si. No fazer amor não está no orgasmo, mas no namorar. A vida é assim. Curte o agora, viva o agora, com leveza!
Quando você decide abandonar o viver para a platéia, ou viver de performance, você não só aproveita cada momento de sua vida, como exerce a sua função com maestria, com diferença, com autenticidade.
Douglas Ghimell
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