Projeção Involuntária da Sombra

"O que te causa mais repugnância no outro revela o desafio e a sombra que te governa em oculto." Douglas Ghimell

Essa frase sintetiza com maestria o conceito de sombra desenvolvido por Carl Jung, unido à mecânica do mecanismo de defesa do ego conhecido como projeção.
Quando algo no comportamento, nas atitudes ou no estilo de vida do outro provoca uma reação desproporcional em nós — não apenas um mero descompromisso ou desagrado pontual, mas uma repugnância visceral e obsessiva —, raramente o problema reside apenas na outra pessoa.
A Mecânica da Projeção e da Sombra
A Sombra (O Reprimido): Ao longo da vida, aprendemos a esconder ou reprimir aspectos de nós mesmos que consideramos inaceitáveis, feios, fracos ou imorais. Essa bagagem rejeitada forma a nossa sombra.
A Projeção (O Espelho): Como o ego não quer encarar a própria sombra, ele busca uma "saída externa". Ao encontrar no outro o exato traço que tentou sufocar, o ego o ataca ferozmente lá fora para evitar ter que lidar com ele aqui dentro.
O Desafio Ocuto: A repugnância é um sinalizador elétrico da psique. Ela aponta exatamente para onde reside a nossa limitação, o nosso desejo reprimido ou a nossa maior ferida não curada.
O outro não é a causa da ferida ou do incômodo visceral; ele é apenas a lente que reflete a imagem daquilo que evitamos em nós mesmos.
Ao reconhecer que a repulsa exacerbada ao outro fala mais sobre o nosso universo interno do que sobre o mundo externo, transformamos o julgamento em autoconhecimento. O desafio passa a ser olhar para essa sombra, integrá-la e retirar dela o poder de nos governar no escuro.

O Artista e a Obra

​Um escultor está em seu estúdio, cercado por esculturas inacabadas que retratam vícios e imperfeições humanas. Ele está modelando uma figura particularmente repugnante, com um expressão de asco profundo. Mas, ao olhar mais de perto, você percebe que a ferramenta que ele usa é sua própria mão, e a argila que ele molda é, na verdade, parte de seu próprio corpo. Ele está esculpindo seus próprios demônios internos em forma de "outro", sem perceber que o "outro" é ele mesmo.

Não é nada fácil reconhecer aquilo que rejeitamos. Por isso nunca conseguiremos mudar a visão de alguém, posto que esta se nega olhar sob outra perspectiva. É mais que uma máscara, é uma venda propositalmente colocada para não ver.

O que me nego enxergar ao rechaçar algo ou alguém com tanta intensidade?

Conversa com uma Inteligência 

Douglas Ghimell 

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