O Paradigma da Amizade Canina

Quando só o cão lhe resta como amigo, é necessário entender o que isto significa, antes de achar que ninguém serve para ser seu amigo.

"Sabe por quê as pessoas encontram no cão exemplo de amizade?
Por que este só abre a boca pra comer, lamber e latir..." - Douglas Ghimell

A frase traz uma ironia afiada, mas que acerta em cheio um dos maiores segredos da amizade canina: a ausência do julgamento verbal e da fofoca.

​Enquanto os humanos usam as palavras para complicar as coisas—com julgamentos, opiniões não solicitadas ou promessas vazias—o cão comunica pura presença. Ele não dá palpites na sua vida, não critica suas escolhas e nem espalha seus segredos.

​Basicamente, o cão oferece o que todo mundo busca no fundo:

  • Lealdade sem burocracia: Ele não precisa te convencer de nada falado.
  • Afeto direto: Se expressa com lamber e latir, sem entrelinhas.
  • Companheirismo silencioso: Está ao seu lado nos momentos bons e ruins sem dar "lição de moral".

​A citação acerta ao mostrar que, às vezes, a melhor forma de demonstrar amizade é simplesmente saber a hora de calar e só estar presente.

Por outro lado, é fundamental entender que uma amizade se perde ao não aceitar o outro, por que rejeitamos aquilo que representa um desafio. Que desafio oferece um cão, senão nas poucas vezes que abre a boca?

Será que ser amigo é encontrar alguém que me ouve, que me entende, ou estou disposto a compartilhar o mesmo carinho de ouvir e entender?

Quando só nos resta um cão é por que há uma escassez ou dificuldade de se estabelecer relações humanas genuínas.

A pergunta que quebra o paradigma da amizade canina é: é tão difícil relacionar-se comigo ou só o cachorro me entende?


Diálogos com uma Inteligência 

Douglas Ghimell 


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