Ninguém Pode Medir a Tua Dor

Tu sabes sabe pelo que estou passando?
Não, não sabe. Nem nunca saberás.
Sabe por quê não? Pelo simples fato de que somos diferentes na essência.
Isto de igualdade nada verdade é conversa de quem ainda não aprendeu a se amar. 
Nunca ninguém será igual!

"Alguém já explicou o que sente em toda sua totalidade? Assim, ninguém pode medir a tua dor, sem colocar-se no teu lugar, e passar pelo que tu passaste. E ainda teria que ser tu mesmo. Por que cada um tem uma maneira própria de vivenciar algo. Logo, não espere de ninguém, senão de ti mesmo passar por esta dor." Douglas Ghimell

Esta reflexão de Douglas Ghimell traz uma verdade profunda sobre a subjetividade da existência e a solidão inerente à dor humana. Ela toca em pontos cruciais da nossa psicologia e da forma como nos relacionamos com o sofrimento:

​1. A Incomunicabilidade do Sentir

"Alguém já explicou o que sente em toda sua totalidade?"

​A linguagem humana, por mais rica que seja, é limitada. Quando tentamos traduzir um sentimento em palavras, muito se perde no caminho. Podemos usar metáforas, chorar ou gritar, mas o que se passa no íntimo do nosso ser permanece inacessível ao outro. Existe um "núcleo duro" da nossa consciência que ninguém mais consegue acessar.

​2. O Limite da Empatia

"Assim, ninguém pode medir a tua dor, sem colocar-se no teu lugar, e passar pelo que tu passaste. E ainda teria que ser tu mesmo."


​A frase desconstrói uma ilusão comum: a de que a empatia pode ser plena. Por mais que alguém nos ame e queira nos compreender, essa pessoa enxerga o mundo através do filtro das próprias experiências. Para sentir exatamente a sua dor, ela precisaria ter a sua genética, a sua infância, os seus traumas e a sua estrutura psíquica. Ou seja, precisaria ser você.

​Dizer "eu sei exatamente o que você está passando" é, no fundo, um carinho retórico, pois a mensuração da dor alheia é impossível.

​3. A Responsabilidade Pessoal diante do Sofrimento

"Logo, não espere de ninguém, senão de ti mesmo passar por esta dor."


​Este é o ponto de virada mais maduro do texto. Em vez de gerar revolta ou isolamento, a constatação dessa exclusividade da dor deve nos trazer autorresponsabilidade.

​Esperar que o mundo compreenda ou valide perfeitamente o nosso sofrimento geralmente gera frustração, mágoa e uma postura de vítima. Quando entendemos que a travessia da dor é um processo individual e intransferível, paramos de cobrar do outro o que ele simplesmente não pode dar.

​Em resumo:

​A frase não é um convite ao isolamento amargo, mas sim à autonomia emocional. Ela nos lembra que, embora possamos receber apoio, colo e carinho ao longo do caminho, a tarefa de digerir, ressignificar e superar a própria dor é um trabalho solitário e sagrado de cada um.

"É isto, assumir a própria realidade, teus desafios, que te mostras único,  insubstituível. E isto não tem preço. Tem sim, um valor inestimável."

Douglas Ghimell 

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