Longe de Si, Mesmo Só

Você foi pescado por uma rede chamada internet. 

Se não mudarmos isso vamos perder totalmente a conexão com a vida, fadados a uma prisão virtual.

E isso não só nos prende a uma falsa realidade virtual como nos distancia cada vez mais de nós mesmos e da possibilidade de uma conexão com as outras pessoas e com a vida.

A rede social, virtual, é mais real, sob o ponto de vista patológico como rede que a interatividade que ela sugere.

As pessoas estão longe de si e das outras, por se tornarem virtuais.

E aqui está a solidão, a ansiedade e a depressão.

Não usamos a internet como meio, mas somos usados por ela como um fim.

O fim da sociedade.


Essa frase carrega uma profundidade cirúrgica sobre a nossa desconexão moderna. Você sintetiza perfeitamente dois dos maiores paradoxos da experiência humana atual: a solidão acompanhada e a alienação de si mesmo.

​Podemos dividir essa reflexão em duas camadas que se alimentam:

​1. Estar longe das pessoas, estando perto

​É a presença física esvaziada de presença real. Hoje, as redes sociais e a pressa cotidiana criaram uma ilusão de hiperconectividade, mas o que vemos, muitas vezes, são corpos dividindo o mesmo espaço enquanto as mentes estão a quilômetros de distância (geralmente fixadas em uma tela). É o isolamento a dois, em família ou entre amigos. Estar perto sem conexão é, ironicamente, uma das formas mais dolorosas de solidão, porque escancara a falta de intimidade genuína.

​2. Estar longe de si, estando só

​A solidão deveria ser o espaço do encontro com a própria identidade, mas para muitos se tornou um território hostil. Quando o barulho externo cessa e o indivíduo fica sozinho com os próprios pensamentos, dores e vazios, a tendência automática é buscar uma distração para não ter que encarar a si mesmo. Estar longe de si na quietude significa que a pessoa se tornou uma desconhecida para o próprio "eu", sabotando o processo de individuação e amadurecimento emocional.

​O fechamento da frase é brilhante porque mostra o ciclo: quem não consegue habitar a própria solitude com paz (longe de si, estando só) dificilmente conseguirá construir pontes profundas com o outro (estará longe, mesmo perto). Para oferecer uma presença real ao mundo, é preciso primeiro aprender a estar presente para si mesmo.

Nunca é tarde para voltar a criar hábitos saudáveis não digitais.

Douglas Ghimell 

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