Não Se Julgue Tanto Assim
Nós julgamos o outro porque desconhecemos sua realidade, sua história, seus desafios. E não podemos olhar o outro com nossos próprios olhos, sob o risco comum de projetarmos neste a nossa visão, baseada em nossa história.
Temos a tendência de achar que a história do outro é comparável à nossa e em muitos casos olhamos o outro superficialmente. É como se conhecêssemos o mar pela sua superfície e o cenário externo. Na superfície, pode ser que esteja tudo calmo, iluminado pelo sol, sob uma brisa leve. Mas desconhecemos realidade interna. E o mar não se resume a uma costa ou a um ponto da bússula. Ele se conecta nos dois extremos.
Fomos habituados a achar que quem fica deitado numa cama no horário comercial é preguiçoso, quando desconhecemos até mesmo o significado intrínseco desta palavra. Ele pode estar cansado de uma noite de trabalho, lutando contra a insônia, seu corpo não produz melatonina, ele pode estar cansado de lutar, ele pode não acreditar na vida ou em si mesmo, pode ainda estar matutando em como e se irá levantar-se novamente. Ele pode estar simplesmente ouvindo seu próprio corpo - cada um tem seu próprio rítmo e compasso.
Mas alguns podem indagar que o tempo não espera, as contas, as responsabilidades do dia-dia seguem seu curso. E aqui está uma questão intrigante: quem disse que estamos vivendo a nossa própria vida?
A vida, como estamos habituados a enxergar com lentes artificiais, foi projetada como uma máquina, onde o ser humano não para para questionar sua realidade. O sistema busca a igualdade por que vê o ser humano como uma peça descartável.
Ele te fez acreditar que você é substituível. Ele tem dificuldade de conhecer sua individualidade até mesmo nos pequenos diferenciais, por que foi projetado para aplaudir resultados e descartar talentos que representem uma ameaça à engrenagem, ao status quo.
E a culpa é filha do sistema de crenças sociais, religiosas, dos costumes. Ela surge do meio para dentro do inconsciente coletivo. Associa-se com o que o outro, ou os outros acham.
Ela surge da necessidade da aprovação, da aceitação, da adequação.
É subjetiva, por que o erro é sempre subjetivo.O errado hoje foi acerto ontem...
Tanto é que os erros te fazem conhecedor do acerto. Mas não te imputa a pena de sentir-se culpado. Apenas repare, conserte, acerte, supere, transacenda.
A culpa foi instituída por conveniência e concebida por medo.
E o maior desafio é dentro, não fora. É quandi ao invés de superar-se você resolve punir-se.
Ela faz você achar que não é merecedor.
Quando você aceita culpa, você fecha as portas do merecimento, e inicia-se um processo de autossabotagem, por que você começa inconscientemente, na maioria dos casos é inconsciente, a punir-se.
Quem fala mal de ti ou de outrem, na verdade está entre um dos três abaixo.
1. Magoado. Por quê uma pessoa magoada sente o desejo de vingar-se. Infelizmente o mau caráter está presente nestas horas em muitos casos. Porém, veja que a mágoa pertence a quem sente, ou seja, é um problema de autoestima.
2. Medíocre. É o Maria vai com as outras. São pessoas sem opinião própria, preguiçosas ou incapazes de questionar a veracidade do que se diz. Apenas repetem o que os outros falam. São facilmente manipuláveis.
3. Invejoso. Uma pessoa invejosa é aquela que esqueceu-se de si mesma. Ela se sente incomodada com o brilho, o sucesso, o bem estar alheio. Veja que o invejoso é aquele que não deseja ver o outro posuir aquilo que essa desejaria para si. É mais uma questão de falta de conhecimento e baixa autoestima.
Quando um magoado ou invejoso possui mau caráter e não consegue te atingir, ele vai tentar manchar tua reputação, colocando outros contra ti.
Como resolver?
Primeiramente, entender que o outro está no seu processo de aprendizado. Nunca o julgue baseado na sua maneira de proceder, mas entender que o outro vive realidades diferentes da sua, dentro de si mesmo.
Segundo, lembre-se: Você é luz, e até tem o direito de errar, mas não precisa aceitar um julgamento de quem carrega o fardo de não se conhecer.
Terceiro, se isto te causa algum dano ou prejuízo, afaste-se, proteja-se, defenda-se, mas sem permitir que se instale o veneno lançado perniciosamente por aquele que carece de si mesmo.
Quarto, É interno o problema. Você "comprou a idéia". Aqui está a raiz do problema.
Liberte-se! Existem perguntas-chave que podem te libertar deste sentimento destrutivo. Toda vez que sentir-se culpado pergunte-se:
Perguntas libertadoras da culpa:
1. Essa culpa é realmente minha… ou eu aprendi a carregá-la?
2. Eu tinha consciência e maturidade suficientes na época
3. Se fosse outra pessoa na mesma situação… eu julgaria igual?
4. Essa culpa me transforma… ou me aprisiona?
5. O que essa culpa está tentando me ensinar
6. Eu estou confundindo responsabilidade com auto-punição?
7. O que eu faria diferente hoje — e isso já não prova que eu evoluí?
8. Eu estou tentando reparar… ou só me castigando?
9. Eu mereço perdão… ou estou me negando isso?
10. Quem eu me torno se eu solto essa culpa agora?
2. Eu tinha consciência e maturidade suficientes na época
3. Se fosse outra pessoa na mesma situação… eu julgaria igual?
4. Essa culpa me transforma… ou me aprisiona?
5. O que essa culpa está tentando me ensinar
6. Eu estou confundindo responsabilidade com auto-punição?
7. O que eu faria diferente hoje — e isso já não prova que eu evoluí?
8. Eu estou tentando reparar… ou só me castigando?
9. Eu mereço perdão… ou estou me negando isso?
10. Quem eu me torno se eu solto essa culpa agora?
Nunca se julgue pelo que o outro acha. É você quem decide se continua carregando essa pedra.
Douglas Ghimell

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